O desafio de filmar e editar em 4k

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Uma tecnologia a ser estabelecida, a resolução 4k ainda não está disponível ao grande público, mas promete ser o futuro não muito distante da qualidade de imagem ( a maioria dos drones já filmam em 4K). Entretanto, a aquisição e edição das imagens neste formato não é uma tarefa simples. Conversamos com Rodolfo Miró e ele nos falou um pouco sobre o desafio de filmar e editar em 4K.

Rodolfo é designer, leciona há mais de 15 anos cursos de edição de vídeo e fotografia em centros de treinamento autorizados da Adobe e Apple, trabalhou como editor de vídeo na DuPont, finalizador em campanhas políticas, e nos últimos anos como diretor de cena e diretor de fotografia. Deu treinamento técnico para funcionários de pós-produção da TV Globo no Rio de Janeiro, atualmente leciona em escolas de cinema de Buenos Aires. Possui DRT de montador cinematográfico e DRT de diretor de fotografia, através do site www.triboaudiovisual.com oferece cursos de edição de vídeo.

 Drone in Art: Rodolfo, você poderia nos falar um pouco sobre o desafio de filmar e editar em 4k?
Rodolfo Miró: Muito se fala no formato 4k mas há pouco conteúdo falando da dor de cabeça e das variáveis de produzir nesse formato.

Outro dia falando com um amigo que é fotógrafo entramos nesse tema de novos formatos, e a conclusão que chegamos é que o mais triste do Brasil é a lentidão com que as coisas são feitas e o quão atrasado em relação a tecnologia estamos. Falamos de 4k como se fosse o formato mais atual do mundo e nos esquecemos que em outros países onde a tecnologia é realmente uma prioridade 4k já é passado, formatos como 8k, 10k ou 16k são as resoluções do momento!

Drone in Art: Hoje em dia os melhores drones do mercado já vem com câmeras que filmam no formato 4K. Você poderia falar um pouco sobre os modelos de câmeras que utilizam este formato?
Rodolfo Miró: Existe uma infinidade de câmeras profissionais que filmam nesse formato, a grande maioria com preços exorbitantes e fora do alcance de meros mortais, no entanto há câmeras mais econômicas que filmam em 4k, é possível encontrar filmadoras handycam 4k por mil dólares,  pode ter uma pequena variação de valor dependendo da marca mas nada muito gritante. Já no mundo das DSLR a Panasonic GH4 pode ser uma das opções mais baratas (1.300 dólares). No entanto o formato não é tudo ao comprar uma câmera, o resultado visual do 4k da Panasonic GH4 não é exatamente o mesmo do 4k da Red one por exemplo, existem outros parâmetros de qualidade de imagem numa filmadora que vão além da capacidade do formato, mas isso é um assunto para um outro post, a questão é que sim, é possível encontrar filmadoras que filmam em 4k a um preço acessível.

Baixe gratuitamente o eBook Drone e Fotografia de Paisagem e tenha acesso a dicas preciosas.

Drone in Art: O volume de dados gerados em uma filmagem 4K é superior ao gerado em resolução Full HD, por exemplo. Isso pode ser um problema tanto na hora da aquisição da imagem, uma vez que precisamos de cartões de memória mais robustos (e mais caros) quanto na hora da edição. Dessa forma fica a dúvida, vale a pena filmar em 4k?
Rodolfo Miró: Depende. Se o material filmado vai ser exibido numa tela de pelo menos 60 polegadas pode compensar o empenho de filmar em 4k, pode apostar que os materiais do que vemos em telas IMAX (tem 22 metros de largura e 16 metros de altura) são produzidos no mínimo em 8k tranquilamente, ou seja, a regra básica é: se a saída é gigante a captura é gigante, o que não tem sentido é filmar em 4k (gigante) para exibição pequena (uma tela de tv comum por exemplo).

Outro aspecto a levar em conta é que 4k tem 4x mais pixel que o full hd (1920×1080), consequentemente todo processo de pós produção levará 4x mais tempo! Vale a pena? Novamente depende, se tempo é uma prioridade no projeto é um problema, se qualidade é a prioridade passa a ser uma ferramenta, exemplo: uma campanha política em 4k, não tem o menor sentido! Além do tempo ser uma loucura porque os dead lines são todos insanos, a maioria da população vai ver isso em tv aberta com baixa resolução, é um tiro no pé! Agora, se o projeto em questão é um filme que será projetado no cinema e tempo não é um requisito mas sim a qualidade, o papo é outro, com certeza valerá a pena o investimento.

Drone in Art: Ok, mas eu comprei um drone que filma em 4k e quero fazer minhas imagens neste formato. Como faço para editar em 4k sem ter que investir em um upgrade na configuração do meu computador?
Rodolfo Miró: Já vi editores de vídeo convencerem a donos de produtora que deveriam comprar novos computadores mais parrudos pra editar em 4k, não precisa. Lógico que quanto melhor for o computador mais fácil é, óbvio que se você tem um computador do tempo das cavernas terá sim que se atualizar, a questão é que não se edita o material crú, ou seja, não se edita o material original em sua resolução gigante, ou você pensa que Hollywood trabalha assim?

Imagine um longa metragem com 35h de captura em 15 câmeras 4k, tudo isso seria importado pro software de edição e o editor meteria os vídeos na linha do tempo e pronto? Claro que não! Que configuração teria que ter o computador nesse caso? Esqueça! Todo material é convertido a baixa resolução, editado em baixa e somente antes de exportar a versão final os arquivos já editados na timeline são substituídos pelos arquivos em alta! Isso é o que chamamos edição Offline! Ao se trabalhar com 4k (especialmente em longas) editar em 4k é fundamental! Qualquer software tradicional de edição de vídeo faz edição offline perfeitamente (Premiere, Final cut, Avid…) Outra dica para não ter dor de cabeça na edição é fazer a atualização para o plugin RED importer, é possível fazer isso pelo site da Adobe.

Vídeo: Tutorial – Como fazer edição de vídeo em off

Drone in Art: Depois de gravado e editado onde poderei exibir meus vídeos em 4k?
Rodolfo Miró: Atualmente a distribuição de 4k é feita de duas formas, através do BDXL (outra versão do blu-ray) e da Archival Disc (AD), um disco óptico criado pela Sony e pela Panasonic para durar ao menos 50 anos, é mole? Em relação às telas de referencia o ideal é que você tenha um monitor de pelo menos 60 polegadas para visualizar o vídeo em 4k, no entanto existem algumas opções de controle de imagem mais baratas e que te permitem trabalhar nesse formato, uma delas é o monitor ultra HD 24 polegadas da marca Dell, é possível conectar via display port um MacPro, por exemplo, e custa aproximadamente 450 dólares, também é possível acoplar um dispositivo de calibração de cores chamado colormunki que te permite com somente 150 dólares ter certeza que seu monitor esteja corretamente calibrado com as cores reais evitando assim variações de cor na entrega do vídeo editado.

Um grande desafio para a exibição de filmes em alta definição é a internet! Apesar do youtube aceitar upload em 4k a velocidade da internet no Brasil é tão lenta que dificilmente poderá reproduzir um vídeo em 4k sem travar, ainda mais se a tentativa for de um celular, isso só é possível em países com uma velocidade de internet muito boa, na América do Sul esqueça!

Drone in Art: Você tem alguma dica final para deixar aos nossos leitores?
Rodolfo Miró: Novos formatos surgem todo tempo, o 4k para os gringos já deixou de ser novidade enquanto a América Latina ainda patina em se adaptar “a novidade”, o fato é que para o contexto latino ainda é novidade e temos que aprender como funciona esse formato, a velocidade da tecnologia é muito rápida e muda tudo a cada mês, como produtor de vídeo, editor ou animador é importante estar atualizado com o mercado e as novas tendências. Acredito que por alguns anos o 4k ainda vai se adaptar ao mercado Brasileiro e em algum tempo mais quando já seja parte do dia a dia vamos ver outros formatos chegando, cada vez maiores, mais caros e mais impressionantes.

Curso Premier